terça-feira, 4 de setembro de 2012

Grilhões da Vida...Rita Padoin

Em um jardim florido, caminhava tristemente uma mulher em passos curtos e olhar distante quando foi interrompida por uma jovem que lhes perguntou o que havia acontecido por sua tamanha tristeza.
 
A mulher olhou para a jovem e disse:
- queres mesmo saber da minha triste história? Sente-se ao meu lado que contar-lhe-ei, disse a mulher.
 
Desde muito jovem tenho sido perseguida pelas sombras dos fantasmas que me agarravam pelos braços e me torturavam dia após dia, sem que eu conseguisse me desvencilhar.
 
Meus dias eram de penúria e quando o dia terminava, a noite estendia seu manto negro pela cidade, deixando o medo e a angústia pairando no ar. As ruas da cidade eram totalmente desertas, o brilho das luzes nos postes era o que restava no caminho, que enfileirados formavam um exército de soldados marchando em direção ao nada como eu, que marchava sem um destino traçado.
 
Os dias foram passando como as estações do ano e em cada uma delas a esperança de conseguir sair ilesa das lutas incansáveis que a vida deixou-me de presente.
 
Durante esta caminhada, encontrei um companheiro imaginário que me proporcionou os mais belos momentos.
Ele ajudou-me a descobrir o melhor caminho a seguir e a encontrar a paz. Minha vida clareou e tornei-me com o tempo uma pessoa feliz e plenamente realizada.
 
Poderás perguntar-me como podias estar contente com os sonhos e fantasmas que a vida me proporcionou ao longo desses dias?
 
Eu asseguro-te que foi através destes fantasmas imaginários que criei, destas lágrimas que verteram nesses transes e desses sonhos alucinantes que formaram a pedra angular de tudo o que passei.
 
Foi atravessando esse caminho tortuoso que aprendi sobreviver e a descobrir sobre a vida, a dor, a alegria, o desapego, a felicidade e a paz.
Eu e o meu companheiro imaginário levamos meus dias de angústias e tristezas em dias de alegrias e paz de espírito.
 
Quisera eu muitas vezes ter morrido antes de atingir os anos que sugaram e atormentaram meus dias. Supliquei que levassem tudo que eu tinha e só deixassem a carcaça jogada nas ruas que apontam as setas amargas da vida.
 
A vida preparou-me muitas armadilhas, sugou-me intensamente mostrando o sabor amargo da luta por dias melhores. Não lamento ao contar-lhe estas passagens vivenciadas que amargamente suportei, pois a queixa é a falta de fé pela vida. 
 
Creio fervorosamente na vida e no que é preparado para nós. Creio na justiça divina e nas sobrevivências pela esperança. Creio na bondade e no amor pelo próximo.
Só o amor constrói grandes edifícios para a morada de dias melhores, só a compreensão e a aceitação pelo que nos foi doado é que consigamos enxergar a beleza da vida.
 
A jovem ouviu-a atentamente e absorveu cada palavra dita naquele momento e perguntou-lhe:

- Se você descobriu tudo sobre a vida, sobre a felicidade que tantas pessoas procuram e não encontram, porque está triste?
 
E a mulher respondeu:

- Porque me entristeço com o sofrimento das pessoas, me entristeço com a falta de caráter, de amor e de união entre os seres vivos. Entristeço-me com a tristeza do meu próximo.
Gostaria muito de poder abrir os olhos de cada um e dizer-lhes: Acordem. Os grilhões da vida foram feitos para ser desvencilhados, a guerra interior foi feita para ser vencida.
 
É uma batalha árdua, pergunta-me. É. Não vou lhe mentir. Mas, porque não lutar se sabemos que a colheita será próspera? 

- É por isso que estou triste, pela tristeza do mundo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário